Começar um projetoExistem projetos digitais que começam com uma página.
Outros começam com um problema de mercado.
A TatameMatch pertence ao segundo grupo.
A ideia nasceu de uma situação recorrente no universo das academias de luta: espaços completos, equipados e com alto custo fixo permanecem vazios durante determinados períodos do dia, enquanto professores independentes procuram locais adequados para formar suas turmas, realizar aulas particulares, organizar seminários ou desenvolver novos projetos.
De um lado, capacidade ociosa.
Do outro, demanda sem infraestrutura.
Entre os dois, um processo historicamente resolvido por indicação, grupos de WhatsApp, contatos pessoais e acordos informais.
Foi a partir desse cenário que a Vauss desenvolveu a TatameMatch como um produto digital completo, criando uma plataforma capaz de conectar oferta e demanda e, principalmente, estruturar tudo aquilo que acontece depois do encontro entre as partes.
Não se trata apenas de um site.
Trata-se de um marketplace especializado em locação de horários e espaços de academias de luta, construído a partir de regras de negócio próprias, múltiplos perfis de usuários, disponibilidade, propostas, critérios técnicos, contratos, pagamentos, comissão e gestão da relação entre academia e professor.
Marketplaces apresentam uma complexidade diferente de sites institucionais ou e-commerces tradicionais.
Em um e-commerce convencional, existe normalmente uma relação relativamente previsível: produto, preço, carrinho, pagamento e entrega.
Na TatameMatch, a contratação depende de inúmeras variáveis.
Qual modalidade será praticada?
Qual a metragem necessária?
Qual a espessura do tatame?
Quantas pessoas utilizarão o espaço?
O horário será recorrente ou pontual?
A academia permite turmas infantis?
Existe vestiário?
Existe chuveiro?
O professor poderá utilizar identidade própria?
Existe restrição quanto à abordagem dos alunos da academia?
Qual será o valor?
A academia aceita aquela proposta?
Existe interesse em uma contraproposta?
Essas perguntas demonstram por que o projeto precisava ser pensado como produto, e não simplesmente como interface.
A Vauss precisou transformar comportamentos e negociações que aconteciam informalmente em fluxos digitais compreensíveis, escaláveis e documentáveis.
A arquitetura central da TatameMatch parte de dois usuários com objetivos completamente diferentes.
De um lado estão as academias, que desejam monetizar períodos de baixa utilização sem perder controle sobre seus espaços.
Do outro estão os professores, que precisam encontrar infraestrutura adequada para suas aulas sem assumir os custos e riscos envolvidos na abertura de uma academia própria.
A plataforma existe justamente no encontro desses interesses.
Para uma academia, o objetivo não é simplesmente publicar um anúncio.
É determinar quando, como, para quem e sob quais condições aquele espaço poderá ser utilizado.
Para um professor, encontrar qualquer tatame também não é suficiente.
Ele precisa encontrar um espaço compatível com sua modalidade, localização, capacidade, estrutura necessária, disponibilidade e modelo de contratação.
Esse cenário transforma o projeto em um clássico desafio de two-sided marketplace, no qual produto, experiência e regras precisam gerar valor para os dois lados simultaneamente.
Um dos conceitos mais importantes do produto foi transformar algo abstrato, o horário vazio de uma academia, em um ativo comercializável.
A academia já possui aluguel, estrutura, tatame, vestiário, equipamentos e custos operacionais.
Quando determinados períodos permanecem vazios, existe uma capacidade instalada que não gera receita.
Na TatameMatch, essas janelas passam a integrar um inventário digital de disponibilidade.
A academia pode abrir somente os períodos que desejar e manter o restante de sua grade protegido.
O produto contempla três formatos principais de contratação: horário recorrente, utilização avulsa e eventos, permitindo acomodar necessidades diferentes dentro da mesma estrutura.
Essa decisão de produto é fundamental porque evita tentar encaixar comportamentos diferentes em um único modelo de locação.
Para um marketplace funcionar, não basta possuir muitos anúncios.
Os anúncios precisam ser comparáveis.
Por isso, a modelagem da informação do TatameMatch considera características objetivas da estrutura disponibilizada.
Área útil, capacidade, tipo e espessura do piso, presença de colunas, proteção de paredes, espelhos, vestiário, chuveiro e outras características ajudam a transformar o espaço físico em dados estruturados. O produto também relaciona essas informações às modalidades que podem utilizar o local.
Essa camada é especialmente importante porque diferentes artes marciais e modalidades possuem necessidades diferentes.
Um espaço adequado para determinada atividade pode não ser adequado para outra.
A qualidade do marketplace, portanto, depende não apenas da quantidade de espaços cadastrados, mas da precisão com que cada espaço é descrito.
Em plataformas de locação, disponibilidade é produto.
Na TatameMatch, a academia não precisa disponibilizar seu espaço integralmente.
Ela pode identificar períodos livres dentro da própria operação e decidir quais deseja transformar em oportunidades comerciais.
Isso levou à criação de uma lógica de gestão de ocupação, permitindo enxergar a capacidade ociosa antes de decidir o que efetivamente será disponibilizado. A própria experiência da plataforma trabalha essa leitura da grade como instrumento de decisão para a academia.
Essa abordagem torna o produto diferente de um simples classificado.
O anúncio não representa apenas um endereço.
Representa uma combinação entre espaço + estrutura + modalidade + disponibilidade + regras + condição comercial.
Outra decisão importante de produto foi não tratar a contratação como uma reserva instantânea.
A relação entre uma academia e um professor envolve mais variáveis do que a locação de uma sala convencional.
Por isso, o fluxo foi desenvolvido em torno de propostas.
O professor identifica um espaço compatível e envia sua intenção de utilização, informando contexto como modalidade, quantidade de alunos, período pretendido e condição comercial.
A academia recebe essas informações antes de decidir.
Ela pode aceitar, recusar ou negociar.
Essa lógica mantém o proprietário do espaço no controle e transforma a TatameMatch em uma plataforma de intermediação estruturada, em vez de apenas uma agenda pública.
Uma das maiores barreiras para uma academia disponibilizar espaço para um profissional externo não é necessariamente financeira.
É confiança.
Quem estará entrando?
O professor poderá abordar alunos da casa?
Poderá utilizar a marca da academia?
Pode realizar sparring?
Pode levar uma turma infantil?
Pode utilizar som?
Essas preocupações precisavam existir dentro do produto.
Por isso, a TatameMatch permite que regras sejam estabelecidas antes da contratação. A academia mantém controle sobre a operação e o professor conhece previamente as condições necessárias para utilizar aquele espaço.
Do ponto de vista de UX, isso reduz incerteza.
Do ponto de vista de negócio, reduz atrito.
Do ponto de vista de plataforma, transforma expectativas subjetivas em condições explícitas de utilização.
Um dos grandes diferenciais de um marketplace vertical está na capacidade de resolver mais etapas da jornada.
Se a TatameMatch apenas apresentasse academias e professores e depois enviasse os usuários para resolver tudo por WhatsApp, uma parte significativa do valor do produto seria perdida.
Por isso, o fluxo evolui da descoberta para a negociação e da negociação para a formalização.
Após a aprovação, a relação pode ser registrada com informações como valor, período e comissão da plataforma.
A TatameMatch se posiciona como intermediadora da conexão, enquanto o contrato de utilização do espaço é firmado entre academia e professor, uma separação importante dentro da modelagem jurídica e operacional do produto.
Marketplace também exige pensar monetização desde sua arquitetura.
Durante a fase beta, a TatameMatch permite que academias publiquem seus espaços sem mensalidade, aplicando comissão quando uma contratação intermediada pela plataforma gera pagamento. O modelo apresentado atualmente trabalha com comissão de 8% nas contratações.
Esse desenho cria alinhamento entre plataforma e usuário.
A monetização acontece quando existe geração efetiva de negócio.
Além da transação, o produto organiza elementos como pagamentos recorrentes, comprovantes, horários contratados e histórico da negociação, ampliando seu papel para além da simples geração de leads.
A quantidade de regras envolvidas poderia facilmente transformar a TatameMatch em uma experiência complexa.
Esse foi um dos principais desafios de UX/UI.
O usuário não precisa conhecer a arquitetura do sistema.
Ele precisa saber o que fazer em seguida.
Por isso, a experiência foi estruturada progressivamente.
Primeiro, identificar o perfil.
Depois, compreender a oportunidade.
Em seguida, cadastrar ou encontrar um espaço.
Então analisar condições, disponibilidade e regras.
Por fim, negociar e formalizar.
Essa decomposição é fundamental em produtos digitais complexos.
A interface precisa esconder a complexidade do sistema sem remover as informações necessárias para uma decisão segura.
É nesse ponto que Product Design, UX Writing, UI Design e arquitetura de informação deixam de ser disciplinas independentes e passam a funcionar como partes do mesmo sistema.
A TatameMatch também representa uma categoria de produto na qual a Vauss acredita fortemente: vertical marketplaces.
Em vez de criar um marketplace genérico de locação de espaços, o produto foi desenvolvido especificamente para o universo das artes marciais e academias de luta.
Isso permite incorporar conhecimento que uma plataforma horizontal dificilmente conseguiria tratar com o mesmo nível de profundidade.
Tatame EVA, espessura do piso, modalidades compatíveis, sparring, turmas, graduação, quantidade de alunos, regras de captação e outros elementos fazem parte do vocabulário do próprio produto.
A especialização reduz ambiguidades e melhora a qualidade dos matches.
Na TatameMatch, tecnologia não aparece apenas na camada visual.
Ela é parte do próprio modelo operacional.
Cadastro, disponibilidade, anúncios, perfis, propostas, regras, negociação, contratação e pagamentos precisam conversar dentro de uma mesma arquitetura.
Cada ação possui estado.
Um horário pode estar disponível ou ocupado.
Uma proposta pode estar aguardando análise, ser recusada, aceita ou alterada.
Uma contratação pode possuir recorrência.
Uma regra precisa estar associada ao espaço.
Um pagamento precisa estar relacionado a uma contratação.
Uma comissão depende de uma transação.
Esse encadeamento transforma o projeto em um sistema de produto, com entidades, relações e regras que precisam permanecer consistentes ao longo de toda a jornada.
É justamente esse tipo de desafio que diferencia o desenvolvimento de uma plataforma do desenvolvimento de um site convencional.
A TatameMatch materializa uma oportunidade que já existia de maneira informal no mercado.
Academias já possuíam horários vazios.
Professores já procuravam espaços.
O que faltava era uma infraestrutura digital que organizasse esse encontro.
O resultado desenvolvido pela Vauss é um marketplace vertical capaz de transformar disponibilidade física em inventário digital e uma negociação informal em um fluxo estruturado de descoberta, análise, proposta e contratação.
Mais do que desenvolver interfaces, o projeto exigiu compreender um ecossistema, modelar seus participantes, identificar riscos, transformar regras implícitas em funcionalidades e criar uma experiência capaz de sustentar os dois lados da operação.
É o tipo de projeto que representa uma frente cada vez mais relevante dentro da atuação da Vauss: desenvolvimento de produtos digitais, plataformas web, marketplaces e sistemas personalizados em que estratégia, UX/UI e tecnologia fazem parte do próprio negócio.
A TatameMatch não é apenas um site para encontrar tatames.
É a construção de uma nova camada de infraestrutura digital para conectar espaço ocioso a oportunidade.
Quer resultado assim?
Vamos conversar sobre seu projeto.